Não. O Simples Nacional será mantido pela Reforma Tributária, preservando a guia única (DAS) e sua essência de simplificação tributária. No entanto, haverá mudanças importantes que exigirão planejamento das empresas.
Principais mudanças
✅ Manutenção do Simples Nacional
- O regime continua existindo.
- Não haverá aumento automático da carga tributária para quem permanecer no modelo tradicional.
✅ Nova composição da Receita Bruta
- Algumas receitas acessórias passarão a compor o faturamento para fins de enquadramento.
- Haverá a chamada globalização das receitas, considerando também receitas do sócio como autônomo e de outras empresas em que participe.
✅ Novos tributos
- IBS e CBS substituirão ICMS, ISS, PIS, Cofins e parte do IPI.
- As notas fiscais deverão destacar esses tributos.
- Será obrigatório informar novos códigos como NBS e cClassTrib.
✅ Fim do crédito presumido de PIS/Cofins
- Empresas do Lucro Real deixarão de aproveitar o crédito presumido de 9,25% nas compras de empresas do Simples.
- Isso pode reduzir a competitividade de empresas do Simples que atendem clientes pessoa jurídica (B2B).
Simples Nacional Tradicional x Simples Nacional Híbrido
Simples Tradicional
- Continua com recolhimento pelo DAS.
- Menor carga tributária.
- Menor burocracia.
- Gera poucos créditos tributários para os clientes.
Simples Híbrido
- IBS e CBS são recolhidos fora do DAS.
- Permite gerar créditos integrais para clientes.
- Aumenta a competitividade em operações B2B.
- Exige controle fiscal mais complexo.
- Pode aumentar significativamente a carga tributária da empresa.
Quem será mais impactado?
Empresas que vendem para outras empresas (B2B):
- Precisarão avaliar se vale a pena migrar para o modelo híbrido para oferecer créditos tributários maiores aos clientes.
Empresas que vendem para consumidores finais (B2C):
- Tendem a sofrer poucos impactos, pois pessoas físicas não aproveitam créditos tributários.
Novos prazos de opção
A escolha entre Simples Tradicional e Híbrido poderá ser feita semestralmente:
- Setembro: opção válida para janeiro a junho do ano seguinte.
- Março: opção válida para julho a dezembro.
A primeira decisão deverá ocorrer em setembro de 2026, para vigência em 2027.
Cronograma da Reforma
- 2026: período de testes e adaptação dos sistemas.
- 2027: início da cobrança integral da CBS e entrada efetiva das novas regras para o Simples.
- 2029 a 2032: redução gradual do ICMS e ISS.
- 2033: implantação completa do novo sistema tributário.
Conclusão
O Simples Nacional continuará existindo, mas empresas precisarão analisar cuidadosamente seus clientes, margens e operações para decidir entre permanecer no modelo tradicional ou optar pelo Simples Híbrido. A decisão será especialmente importante para empresas que atuam no mercado B2B e dependem da competitividade gerada pelos créditos tributários.
Fonte: https://www.contabilizei.com.br/reforma-tributaria/autor/michel-batista/